Comprar cartas pela internet ou numa feira tem um risco que não desaparece: as falsificações estão cada vez melhores e as fotos de um anúncio não chegam para as descartar. A boa notícia é que quase todas falham nos mesmos pontos, e nenhum deles exige material especial.
A verificação mais fiável de todas é comparativa: tem ao lado uma carta que saibas ser autêntica, de preferência da mesma expansão ou de uma época parecida. O olho nota uma diferença de tom ou de espessura muito antes de a saber descrever.
1. O teste da luz
Põe a carta à frente de uma lanterna ou de uma lâmpada e vê se a luz passa. Uma carta autêntica tem uma camada interior escura entre as duas faces do cartão: bloqueia quase toda a luz e mal se adivinha a ilustração do outro lado.
As falsificações baratas imprimem-se em cartão de uma só camada: a luz atravessa-as e o desenho do verso vê-se com clareza. É o teste que mais falsificações elimina de uma vez.
2. O tato e a flexão
Uma carta autêntica tem um acabamento ligeiramente rugoso, quase de linho, e recupera a forma quando a dobras um pouco. As falsas costumam ser demasiado brilhantes e escorregadias, ou demasiado moles: ficam marcadas quando as dobras, ou soam a plástico.
Dobra apenas o suficiente. Não é preciso forçar a carta para notar a diferença, e se afinal for autêntica acabaste de lhe baixar o estado.
3. O verso, observado com calma
O verso é idêntico em todas as cartas do jogo, por isso é o melhor ponto de comparação que existe. Repara em três coisas concretas:
- O tom do azul. As falsas tendem para um azul mais escuro, mais arroxeado ou mais apagado.
- O círculo central e a Poké Ball: os gradientes têm de ser suaves, não escalonados, e a sombra debaixo da bola tem de estar bem definida.
- A centragem da moldura. Nas autênticas a margem azul é razoavelmente uniforme; nas falsas costuma estar claramente deslocada para um dos lados.
4. A tipografia e os pequenos detalhes
É onde a impressão barata mais se nota. Olha para o texto do ataque e para as letras pequenas do rodapé da carta: numa autêntica os contornos das letras são limpos mesmo vistos de perto. Numa falsa aparecem pixelizados, com halos de cor ou com espessura irregular.
Verifica também o símbolo de energia e o símbolo de raridade (círculo, losango ou estrela) no canto inferior. Costumam estar mal desenhados, com o tamanho errado ou numa posição ligeiramente diferente.
5. Os erros de idioma
Muitas falsificações são traduzidas automaticamente ou copiadas de uma imagem de baixa qualidade. Erros ortográficos, acentos a mais ou a menos, símbolos estranhos, ou uma mistura de idiomas dentro da mesma carta são motivo suficiente para a descartar.
Presta atenção especial aos termos do jogo. Uma carta que traduz mal um tipo de energia ou o nome de uma mecânica não saiu da gráfica oficial.
6. A textura do holográfico
Numa carta holográfica autêntica o efeito tem padrão e profundidade: ao rodá-la, o brilho move-se seguindo formas concretas dentro da zona holográfica. Nas falsas costuma ser um brilho plano e uniforme, tipo purpurina, que cobre toda a ilustração por igual.
Atenção ao caso contrário, que é mais frequente do que parece: cartas que na expansão original nunca foram holográficas e que aparecem a brilhar. Se a versão que tens à frente não existe com esse acabamento, não é uma variante rara: é uma falsificação.
7. O número da carta tem de existir
Em baixo, no formato 25/102, estão o número da carta e o tamanho da expansão. É uma verificação objetiva e rápida: se a expansão tem 102 cartas e a tua diz 130/102 sem ser uma carta secreta reconhecida, algo não bate certo. E se o número existe mas corresponde a outro Pokémon, já tens a resposta.
Confirma também que o símbolo de expansão coincide com o set que a carta diz ser, e que o ano de copyright do rodapé encaixa na data dessa expansão.
8. O contexto da venda
- Lotes enormes de cartas raras a preço de saldo. As cartas caras não aparecem aos punhados e baratas.
- Fotos genéricas, de stock ou com pouca resolução, e vendedores que se recusam a fotografar a carta concreta e o seu verso.
- Cartas «novas» de expansões com vinte e cinco anos, em estado perfeito e em quantidade.
- Anúncios que insistem muito na autenticidade sem apresentar qualquer prova.
Sobre o «rip test», que consiste em rasgar a carta para ver a camada interior: funciona, mas destrói a carta. Só faz sentido numa carta que já descartaste e sobre a qual queres tirar a dúvida de vez, nunca como verificação de rotina.
O que fazer se já a compraste
Se pagaste por uma carta que afinal é falsa, documenta tudo antes de reclamar: fotos da frente, do verso, do teste da luz e da comparação com uma autêntica. As plataformas de venda costumam ter proteção ao comprador para artigos que não correspondem à descrição, mas exigem provas e têm prazos.
E, acima de tudo, não a mistures com o resto da tua coleção. Separa-a e marca-a. Uma falsificação esquecida num binder acaba, anos depois, vendida de boa-fé por alguém que não sabia que ela estava lá.
Um inventário digital diz-te na hora se a carta que tens na mão existe nessa expansão e nessa variante.
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