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Quanto vale a minha carta Pokémon: como saber de verdade

Procurar o nome da carta e olhar para o primeiro resultado é a forma mais rápida de ficar com uma ideia errada. Isto é o que decide mesmo o preço, por ordem de importância.

Quase toda a gente começa da mesma forma: escreve o nome do Pokémon no Google, vê um valor alto no primeiro resultado e convence-se de que tem um tesouro na gaveta. Depois tenta vender a carta e ninguém oferece nem a décima parte. Não é que te estejam a enganar: é que estavas a olhar para outra carta.

Um mesmo Pokémon pode existir em dezenas de cartas diferentes, impressas em anos diferentes, com raridades diferentes e em estados de conservação diferentes. Entre a mais comum e a mais procurada pode haver três zeros de diferença. Avaliar bem é, acima de tudo, identificar bem.

Os quatro dados que decidem o preço

Antes de olhar para qualquer preço, precisas destes quatro dados da tua carta concreta. Se te faltar um, qualquer valor que encontres é uma coincidência.

  1. A expansão (o set). É o símbolo pequeno que aparece junto ao número, no canto inferior da carta. Duas cartas do mesmo Pokémon de expansões diferentes não têm nada que ver em preço.
  2. O número da carta. Vem em baixo, no formato 25/102: a carta 25 de uma expansão de 102. É o que distingue a tua carta das restantes da mesma expansão.
  3. A variante. A mesma carta com o mesmo número pode sair em versão normal, holográfica, reverse holo, promocional, de edição limitada ou com arte alternativa. É aqui que está a maior parte da diferença de preço.
  4. O estado. Uma carta impecável e a mesma carta com as margens brancas são, para o mercado, dois produtos diferentes.

Se a carta tem o selo «1st Edition» à esquerda da ilustração, toma nota. Nas expansões antigas é o fator que mais multiplica o preço, acima até da raridade.

Onde ver preços que signifiquem alguma coisa

A distinção importante não é o site que usas, mas o tipo de preço que estás a ler. Há dois, e só um serve para saber quanto vale a tua carta.

  • Preço de anúncio: o que alguém pede. Não é informação. Qualquer pessoa pode anunciar uma carta comum por 500 € e nunca a vender.
  • Preço de venda concluída: o que alguém pagou de verdade. Isto sim é informação, e é a única coisa com que deves avaliar.

Na Europa a referência habitual é o Cardmarket, que publica preços médios de vendas reais. No eBay podes filtrar por «vendidos» para ver vendas concluídas em vez de anúncios ativos. E quem compra e vende no Brasil encontra a mesma lógica nos marketplaces locais de cartas: o que conta é o histórico de vendas fechadas. Em qualquer caso, olha para a média dos últimos meses, não para a venda mais alta: os picos isolados costumam ser cartas graduadas ou compradores com pressa.

Tem também em conta que os preços europeus e americanos não são intercambiáveis. Entre taxas alfandegárias, portes internacionais e disponibilidade, a mesma carta pode valer bastante diferente de cada lado do Atlântico.

O estado: a parte que quase toda a gente salta

O mercado usa uma escala bastante padronizada. Da melhor para a pior: Mint, Near Mint, Excellent, Good, Light Played, Played e Poor. A maioria das cartas que passaram anos numa caixa ou num álbum barato está bastante abaixo do que o dono acredita.

Olha para a carta em contraluz e verifica quatro coisas: se as margens têm branco (desgaste), se os cantos estão arredondados ou amassados, se a superfície tem riscos ou marcas de dedos, e se a centragem da ilustração está desviada em relação à moldura. Este último ponto é o que mais surpreende: duas cartas idênticas e no mesmo estado podem afastar-se muito em preço só pela centragem, porque é o que decide a nota se a carta um dia for graduada.

Como regra prática: desce um degrau em relação ao que te parece à primeira vista. Os vendedores são otimistas com o próprio material, e os compradores sabem-no.

Quando faz sentido graduar uma carta

Graduar é enviar a carta a uma empresa (PSA, BGS e CGC são as habituais) que a autentica, lhe atribui uma nota de 1 a 10 e a sela numa cápsula. Uma nota alta pode multiplicar o preço; uma nota mediana pode deixá-lo quase igual ao que estava, e o processo já ficou pago.

As contas são simples: entre o serviço, o envio de ida e volta e o seguro, graduar uma carta custa bastante. Se o valor da tua carta por graduar não estiver muito acima desse custo, e se não tiveres uma confiança razoável de que vai receber boa nota, não compensa. Graduar faz sentido em cartas caras e em estado quase perfeito, não como forma de «arranjar» uma carta vulgar.

Sinais de que podes ter algo acima da média

  • Selos de edição: «1st Edition», «Shadowless» nas primeiras impressões, ou marcas de torneio e de prerelease.
  • Arte alternativa, full art, textura em relevo ou acabamentos especiais: quase sempre são as tiragens curtas da expansão.
  • Promocionais de evento, de filme ou de distribuição limitada, sobretudo se continuarem por abrir.
  • Erros de impressão reconhecidos e documentados. Atenção: um erro teu (uma carta dobrada) não é um erro de impressão.
  • Cartas dos sets base do final dos anos noventa, em qualquer estado decente.

E o sinal contrário, que poupa muito tempo: se a tua carta é de uma expansão dos últimos anos, sem holográfico e sem marca especial, quase de certeza vale cêntimos. Não é má notícia, é informação: diz-te onde não investir o teu tempo.

O que fazer com o resultado

Avaliar carta a carta funciona quando tens cinco. Quando tens quinhentas, o gargalo deixa de ser o preço e passa a ser a identificação: saber exatamente o que tens, de que expansão e em que variante.

É aí que ajuda ter a coleção digitalizada. No TCGJoin podes fotografar uma carta com o telemóvel e ela identifica-se sozinha — expansão, número e variante — e fica guardada na tua coleção com o preço de referência e o progresso dentro da expansão. Não substitui o teu critério na hora de vender, mas transforma o trabalho lento de identificar em algo que se faz num instante.

Digitaliza uma carta e vê por quanto está avaliada neste momento.

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Perguntas frequentes

Porque é que o Google diz que a minha carta vale muito mais do que me oferecem?

Quase sempre porque o resultado que estás a ver é de outra variante da mesma carta (holográfica, primeira edição ou promocional), ou porque é um preço de anúncio e não de venda concluída. Compara sempre por expansão, número e variante, e usa preços de vendas reais.

Uma carta vale mais se estiver por abrir, dentro do booster?

Um booster selado tem o seu próprio valor de mercado, diferente do das cartas que contém, e em expansões antigas costuma ser alto. Mas só se mantém enquanto estiver selado: ao abri-lo, esse valor desaparece e passas a depender do que te calhou.

As cartas em português valem menos do que as inglesas?

Regra geral, o mercado em inglês é maior e mais líquido, por isso as versões inglesas costumam atingir preços mais altos. Há exceções: algumas tiragens em português de expansões antigas são bastante escassas e pagam-se bem entre colecionadores de idioma.

Quanto valor se perde por ter a carta num álbum normal?

Depende do álbum. Os que apertam a carta ou os de plástico com PVC podem deixar marcas permanentes na superfície. Um binder de carregamento lateral com protetores individuais conserva o estado sem problemas durante anos.

Vale a pena avaliar uma coleção inteira carta a carta?

Não à mão. O eficiente é digitalizar primeiro a coleção completa para saber o que tens, e só depois avaliar em detalhe a mão-cheia de cartas que o inventário apontar como valiosas.